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Pregação

Pilares da missão

Mateus 28.18–20

18 de outubro de 2026 · Culto de domingo · Pr. Carlos Bezerra

Leitura

18 Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: — Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.

19 Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,

20 ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.

Nova Almeida Atualizada

Introdução: teologia da missão

Missiologia é a disciplina que estuda missões: os fatos, os dados e as características que envolvem a expansão, a aplicação e o desenvolvimento da missão entre outras culturas, povos, tribos e nações, considerando épocas e lugares. Em outras palavras, estuda a igreja onde ela está.

A Escritura mostra o alcance dessa missão:

  • Apocalipse 7.9–10. Diante do trono estão pessoas de todas as nações, tribos, povos e línguas.
  • Colossenses 1.27–28. Cristo em vós, a esperança da glória.
  • Atos 1.8. Recebereis poder e sereis testemunhas em Jerusalém, na Judeia, em Samaria e até os confins da terra.
  • Romanos 10.14–15. Como invocarão sem crer, crerão sem ouvir, ouvirão sem quem pregue?
  • Mateus 24.14. O evangelho do Reino será pregado em todo o mundo, para testemunho a todas as nações.

Alguns termos ajudam a entender o assunto:

  • Missões. Ações locais, extralocais ou transculturais, planejadas pela igreja (seja base, escola ou departamento). Tudo o que compõe a igreja se mobiliza em ações, estratégias, planejamento e análise de acordo com cada tribo, povo ou nação, antes do envio.
  • Missionário. O enviado (João 20.21). A missão não se cumpre quando você fala, mas quando o outro recebe e entende a mensagem que você levou.
  • Missional. O enviado dentro da sua realidade local: a igreja e sua participação na missão de Deus, que é a redenção de todas as coisas.
  • Missão. A autorrevelação de Deus como aquele que ama a sua criação, e a atividade de Deus para e pelas pessoas (João 3.16). A missão não é algo que a igreja foi chamada para fazer; ela foi chamada para participar. É a participação ativa do povo de Deus (Romanos 8.19).

Pilar 1: autoridade

Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. (v. 18)

É na autoridade de Cristo que a igreja é enviada a cumprir a missão de Deus no mundo. É nessa autoridade que somos enviados. É ela que respalda e impulsiona todo movimento da igreja. É nela que expulsamos demônios, operamos milagres, curamos enfermos e fazemos todas as demais coisas.

Uma vida de autoridade é construída, desenvolvida e cultivada, e algumas disciplinas espirituais são essenciais para isso:

  1. Oração. O Pai quer te ver no secreto (Mateus 6). O grande desafio no campo é ouvir Deus.
  2. Santidade. Ele é santo, por isso devemos ser santos. Há missionários que abandonam o campo por falhas de caráter.
  3. Palavra. Alimento diário, exercício prático de todos os dias, direção e meditação.
  4. Comunhão. “Se andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado” (1 João 1.7).
  5. Boas obras. Atitudes virtuosas e justas, alinhadas com a vontade de Deus, frutos da fé e do amor, para a glória de Deus.

Pilar 2: ide

Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações. (v. 19)

Ninguém vai sem autoridade. Fazer discípulos é ajudar pessoas a seguir Jesus e a se tornarem parecidas com ele, à sua imagem e semelhança.

Nas instituições religiosas de hoje existem alguns perigos nesse processo de discipulado:

  1. Nominais. Pessoas transformadas naquilo que creem, mas não nas atitudes.
  2. Legalistas. Pessoas transformadas nas atitudes, mas não naquilo que creem.
  3. Infrutíferas. Pessoas transformadas naquilo que creem e nas atitudes, mas não na visão.

O que a igreja crê, suas atitudes e sua visão precisam ser completamente afetados pelo evangelho de Cristo. Só assim faremos discípulos de todas as nações, pelo evangelho do Reino de Deus, e seremos reconhecidos pelo amor uns pelos outros (João 13.34–35). A evidência desse processo é o batismo.

Pilar 3: ensinando a guardar

Ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. (v. 20)

Guardar, na tradição hebraica do shemá, é cuidar, proteger, obedecer, zelar e ouvir. E o texto diz todas as coisas que ele ordenou, não apenas algumas.

Em Mateus 7.24–27, Jesus compara quem ouve e pratica as suas palavras ao homem prudente que construiu a casa sobre a rocha. Guardar é isso: ouvir e praticar.

Pilar 4: a presença de Deus

E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos. (v. 20)

Não existe missão sem Deus. Muitos desistem diante das dificuldades porque esquecem de quem está com eles e tentam fazer a obra sem Deus.

Quando perguntaram a Jesus o que fazer para realizar as obras de Deus, ele respondeu que a obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou (João 6.28–29).

E ele mesmo convida os cansados:

Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu os aliviarei. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. (Mateus 11.28–30)

Chamado e vocação

Por isso eu, o prisioneiro no Senhor, peço que vocês vivam de maneira digna da vocação a que foram chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor, fazendo tudo para preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. (Efésios 4.1–3)

Chamado + vocação = missão.

Chamado. Onde você está? Em hebraico, ayeká, a pergunta de Deus a Adão no Éden, fala de localização existencial e espiritual. Já eifo é o termo comum de quem procura algo que perdeu. O chamado é a volta para Deus.

Vocação. Não é sobre realização pessoal, mas sobre a dor que Deus quer curar no mundo através de você, de cada um de nós. Vocação não é o quanto conquistamos para nós mesmos, mas o quanto estamos dispostos a cumprir para Deus.

Perspectivas da missão

  • Missão. A ação de Deus.
  • Visão. Onde queremos chegar.
  • Valores. Princípios inegociáveis que nos mantêm no caminho.

Tudo isso conduzido pelo Espírito Santo, que nos guia a toda a verdade (João 16.13) e nos faz clamar “Aba, Pai” (Romanos 8.15).

A missão não se limita a justificar aquilo em que alguém acredita. Ela fundamenta o que a pessoa vive: é o chão sobre o qual o missionário caminha. Aqui aparece o dilema entre o essencial e o operacional:

  • Essencial. Ser imagem e semelhança de Cristo, caráter e testemunho.
  • Operacional. Produtividade, utilidade, resultados, excesso de cobranças.

O essencial vem primeiro. Pedro mostra o caminho de crescimento (2 Pedro 1.5–11), acrescentando:

  1. à fé, a virtude;
  2. à virtude, o conhecimento;
  3. ao conhecimento, o domínio próprio;
  4. ao domínio próprio, a perseverança;
  5. à perseverança, a piedade;
  6. à piedade, a fraternidade;
  7. à fraternidade, o amor.

Conclusão: a missão de Deus

A missão não começa em nós nem depende de nós. Ela nasce da autoridade de Cristo, nos envia a fazer discípulos, nos ensina a guardar tudo o que ele ordenou e é sustentada pela presença dele todos os dias. Que, como igreja, vivamos de maneira digna da vocação a que fomos chamados, participando com alegria da missão de Deus.

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